Empresas preveem demissões e banco de horas com o fim da escala 6x1
Setores de comércio, serviços e saúde estudam novas escalas e repasse de despesas, enquanto ações de varejistas recuam no mercado financeiro
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Setores do comércio, serviços e saúde iniciaram um planejamento emergencial que prevê demissões, corte de despesas e ampliação do banco de horas — regime em que o trabalho extra vira folga em vez de pagamento — diante do avanço da proposta que extingue a jornada de seis dias de trabalho por um de descanso, conhecida como escala 6x1.
A medida impacta diretamente as contas de negócios com grande volume de funcionários e pode encarecer produtos e serviços para a população. Analistas do mercado financeiro alertam que as companhias devem tentar repassar custos adicionais de contratação e horas extras aos preços finais, o que eleva a pressão sobre a inflação e pode provocar alta nas taxas de juros no país.
O reflexo imediato atingiu o mercado financeiro na manhã desta quinta-feira (15). O Índice Bovespa (Ibovespa), principal termômetro das ações negociadas no Brasil, registrava recuo de 1,26%, aos 203.897 pontos, às 10h33. Entre as maiores quedas figuraram empresas de varejo e consumo como Lojas Renner, C&A, Assaí, Azzas, Raia Drogasil e a administradora de shopping centers Iguatemi. Segundo analistas de mercado, empresas de menor porte enfrentam maior risco de aperto nas margens de lucro, enquanto grandes grupos têm mais capacidade de investimento tecnológico para absorver as novas despesas.
Para conter o avanço dos custos trabalhistas, diferentes segmentos já estruturam planos de adaptação. Na hotelaria, entidades planejam estender a jornada de 12 horas de trabalho por 36 de descanso (12x36) para setores de recepção e admitir profissionais por diária nos fins de semana. Na área de saúde privada, a reorganização das equipes dependerá de renegociações sindicais em ritmo acelerado para adequar turnos e evitar prejuízos ao atendimento hospitalar.
Com informações de UOL e Folha.
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